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Para reforçar a assimilação, abaixo você pode assistir aos vídeos “Meditação com Nisargan – Aula 1 a 6” e ler suas transcrições adaptadas. E estarrecendo, ou melhor, esclarecendo, o objetivo do personagem Rapumzé, o professor das aulas 1 a 5, é quebrar a associação normalmente estabelecida, porém falsa, entre meditação e seriedade.

“Meditação com Nisargan – Aula 1” 

 

Transcrição adaptada do conteúdo do vídeo acima:

O QUE É MEDITAÇÃO

A proposta aqui é apresentarmos uma série de orientações sobre meditação, e o primeiro ponto é saber o que ela significa. Na verdade, essa palavra tem diferentes significados e tem relação com diferentes abordagens. Apresentaremos uma abordagem específica de meditação, e a consideramos o maior lazer que um ser humano pode ter!

 

Aqui, meditação é estar presente, ou estar com a chama da consciência, da atentividade, da perceptividade ACESSA!

 

DOS CONCEITOS PARA A PRÁTICA

Mas atenção: esse e outros conceitos sobre meditação não devem ficar apenas no plano conceitual. Eles precisam ser vividos, porque se não houver prática não adianta nada sabermos conceitualmente sobre meditação, já que ela só tem valor quando vivenciamos o que os conceitos indicam!

 

PENSAMENTOS DISPERSIVOS

Voltando, podemos pensar: “Mas estou sempre com a minha consciência acesa!”

 

Não estamos! Temos 50 mil a 60 mil pensamentos desnecessários, dispersivos, perturbadores por dia, e isso nos torna ausentes, como zumbis, agindo no automático.

 

Sim, existem ações, mas não existe a consciência que observa as ações, que capta o que está acontecendo, fora e dentro, uma consciência que está consciente de que estou consciente.

 

FÓRMULA MÁGICA DA MEDITAÇÃO

A meditação aqui apresentada tem uma fórmula, uma fórmula “mágica” com três pontos:

 

– O primeiro ponto: você procura estar de fato com a chama da consciência acessa. O que significa isso? Neste momento estamos presentes? Neste momento há um observador interno que está consciente do que está acontecendo agora, apenas percebendo o que está acontecendo sem acoplar pensamentos ao que é percebido? Se isso estiver acontecendo, o primeiro ponto da meditação está sendo realizado neste momento!

 

Então, o primeiro ponto da fórmula mágica da meditação é a mobilização a nos manter como uma consciência observadora contínua, o tempo todo, de qualquer coisa do aqui e agora, tanto externo quanto interno.

 

– O segundo ponto: vivenciando o primeiro ponto, mais cedo ou mais tarde vão acontecer pensamentos na forma de julgamentos, de lembranças, de imaginações, de planejamentos desnecessários, etc, e chamamos esses pensamentos involuntários que distorcem ou interrompem a percepção da realidade presente de pensamentos dispersivos.

 

Então, o segundo ponto da meditação é pegar em flagrante os pensamentos dispersivos, dar-me conta de que estou ausente, dar-me conta que estou em outra história que não na atentividade ao momento presente.

 

Esse pegar em flagrante é parte intrínseca da meditação; portanto, não está correta aquela ideia de que meditação é não pensar, já que o pegar em flagrante pensamentos faz parte da meditação.

 

Sim, o objetivo final é manter a Presença contínua, mas isso não é algo que se espera de iniciantes nem mesmo de pessoas já adiantadas nesse treinamento. Os pensamentos acabam vindo, pois a pressão deles é muito grande, lembrando que são 50 a 60 mil por dia!

 

Tenha sempre em mente: pegar em flagrante os pensamentos dispersivos faz parte da meditação e é um sucesso conseguir flagrá-los!

 

Normalmente quando pegamos em flagrante um pensamento pode haver a tendência de ficarmos chateados, “Oh, meu Deus do céu, de novo pensando, não consigo ficar presente…”

 

Essa é uma reação, mas ela acrescenta mais pensamentos, tornando-os ainda mais turbulentos.

 

Quando pegamos em flagrante os pensamentos, a atitude recomendada é de indiferença ou, no máximo, podemos ficar contentes, “Oba! Consegui pegar em flagrante!!!”

 

Normalmente nem nos damos conta de que estamos pensando, e pensando, e pensando, e pensando, um pensamento atrás do outro, sem intervalo de consciência, e essa tem sido a nossa vida, um bloco contínuo de pensamentos ininterruptos.

 

No momento em que pego em flagrante pensamentos, esse é um elemento novo e, com ele, abre-se a possibilidade de interrompê-los! Se não pego em flagrante os pensamentos, como vou interrompê-los?

 

É preciso realmente assimilar isto: pegar em flagrante os pensamentos dispersivos é uma vitória!

 

– E o terceiro ponto da fórmula mágica da meditação é interromper os pensamentos dispersivos!

 

Procurei estar presente, estive presente, mantive-me presente, houve a dispersão, peguei-a em flagrante, que é o segundo ponto, e o terceiro ponto e voltar ao presente.

 

Ao voltar ao presente, a interrupção se dá!

 

Na meditação aqui exposta, não interrompemos um pensamento pensando em outro, não interrompemos um pensamento pensando em algo positivo. A proposta é interromper pensamentos ao voltar a percepção para o aqui e agora!

 

TUDO PODE SER UMA MEDITAÇÃO

Esta é a fórmula mágica que transforma qualquer coisa em meditação; tudo pode ser uma meditação!

 

Dessa maneira, meditação não é só você ficar parado, de olhos fechados, com as pernas cruzadas; ela pode se apresentar dessa maneira, mas pode ser também você correr, dançar, ficar de ponta cabeça…

 

Fazer qualquer coisa pode se tornar uma meditação se você usar essa fórmula mágica!

 

“MEDITAÇÕES” QUE NÃO SÃO MEDITAÇÃO

Mas, se tudo pode ser meditação, algumas coisas chamadas de meditação podem não ser meditação. Por quê? Porque se não estivermos realmente mobilizados a estar presentes naquela situação, se não estivermos mobilizados a pegar em flagrante pensamentos e voltar ao presente, não estamos meditando.

 

Podemos estar sentados em uma postura normalmente associada à meditação e dizer que estamos meditando, mas na verdade podemos estar pensando em física quântica, em futebol, em uma mulher ou em um homem, no que eu disse, no que não disse, no que deveria dizer ou fazer se tal coisa acontecesse, etc, etc, etc, sem nos preocuparmos em nos manter presentes, sem nos preocuparmos em pegar em flagrante esses pensamentos dispersivos… Então, aquela postura não representa na verdade uma meditação, embora a pessoa possa até dizer, “Estou meditando.”

 

ATITUDE INTERNA

Resumindo, tudo pode ser uma meditação, pois a meditação não está no ato externo que você faz. A meditação está na atitude interna, seguindo aqueles três pontos mencionados.

 

INTENÇÃO

A intenção aqui é que nos tornemos meditadores de verdade e que desfrutemos isso, que obtenhamos a transformação que isso provoca.

 

Quando há mais presença, mais atentividade, mais chama da consciência momento a momento, nossa vida com certeza se torna outra vida, pode ter certeza disso!!!

 

…….

 

 

“Meditação com Nisargan – Aula 2”

 

  

Transcrição adaptada do conteúdo do vídeo acima:

 

LEI DA RELAÇÃO INVERSA…

Há uma “lei” que justifica esta proposta de meditação: existe uma RELAÇÃO INVERSA entre estar presente e pensamentos desnecessários, entre estar presente e ego. 

EGO

O ego nunca está no presente, e o ego é que é encucado, o ego é que é limitado, o ego é que tem condicionamentos, o ego é que sofre, o ego é que transforma situações em problema.

 

SER

O ego é um amontoado de pensamentos, mas há outra dimensão dentro de cada um de nós chamada Ser, que não é nada disso. O Ser já é equilibrado, já é maduro, já tem discernimento, já é feliz, já está na boa. Você não precisa fabricar esse sujeito; ele já existe! Você precisa aflorá-lo, tirar o que o encobre, e quando estamos presentes, quando estamos no aqui e agora, atentos, estamos acessando esse Ser.

É a nossa Presença que dá acesso, que dá passagem a esse Ser. Na verdade, a própria Presença é o Ser!

Então, como existe uma relação inversa entre estar presente e pensamentos desnecessários e ego, quanto mais aumentamos a Presença, menos pensamentos e menos ego temos, e mais Ser aflora; essa é toda a chave!

Estar presente é a estrada, é o caminho, é o acesso ao Ser!

CONSTATAÇÃO DA PRÓPRIA AUSÊNCIA
Mas é importante que nos autodiagnostiquemos, porque normalmente vivemos numa poluição imensa de pensamentos, são 50 mil a 60 mil por dia, e nem nos damos conta deles, nem notamos o tanto de poluição, o tanto de ausência, o tanto de automatismo, o tanto de mecanicidade, o tanto de repetição…

É realmente importante ter este autodiagnóstico, porque assim poderemos procurar uma cura, uma medicina chamada meditação. Olha lá, “medicina”, “meditação”, palavras com a mesma raiz…

Uma maneira de tornar mais claro o quanto somos ausentes é dando um exemplo de tomar banho. Entro no banho, tomo banho, saio do banho. Naquele intervalo, estive ou não presente? Ou fiz tudo automaticamente, nem sabendo o que estava pensando?

Normalmente fizemos tudo automaticamente, nem sabendo o que estávamos pensando. Nossa mente estava ali, lá, acolá… Não houve a aplicação daquela fórmula: estar presente, pegar em flagrante os pensamentos, interrompê-los ao voltar para o presente.

Esse exemplo do banho é um exemplo de como a nossa vida normalmente é: ausência constante, agindo em função de forças inconscientes, escuridão interna, na verdade. Não há a luz da consciência, a luz que dissolve a escuridão.

Toda a ideia da meditação é aumentar essa luz de consciência, aumentar em todas nossas ações, e podemos praticar algumas estratégias para que isso aconteça. Falaremos sobre isso mais para frente.

…….

  

“Meditação com Nisargan – Aula 3”

 

 

Transcrição adaptada do conteúdo do vídeo acima:

TÉCNICA DE MEDITAÇÃO

Uma questão: há necessidade de praticarmos todos os dias uma técnica de meditação específica, ou basta nos mobilizarmos a estar mais presentes no dia a dia, sem necessidade de fazer uma técnica?

 

Esse é um assunto importantíssimo, por quê?

 

Porque na nossa visão, na nossa experiência, na nossa observação, é muitíssimo necessário praticarmos uma técnica de meditação específica, diariamente. Este é o momento de aprofundar-se, de mergulhar, coisa que não é possível fazermos com a mesma profundidade nas situações do dia a dia. No dia a dia as nossas ações têm outras motivações, outras necessidades e, quando faço uma técnica de meditação específica, a necessidade, a motivação, é única e exclusivamente aumentar a chama da consciência. Basta essa força de intenção para já ocorrer maior profundidade!

 

Na verdade, uma coisa não exclui a outra: é necessário, para que haja um aumento da chama da consciência, praticar uma técnica diariamente, todos os dias, e procurar fazer a transposição dessa profundidade obtida para as situações do cotidiano.

 

Ficar só na técnica, sem se mobilizar a fazer essa “transferência” para o cotidiano, não adianta nada. E ficarmos só no cotidiano, achando que isso vai ser suficiente, é um engano. Não vai ser suficiente, pois assim o seu progresso será pequeno; você estará enganando a si mesmo…

 

Lamento, algumas pessoas podem não gostar disto, mas você está enganando a você mesmo achando que basta, que é suficiente apenas procurar ficar presente no cotidiano dispensando a prática de técnicas específicas de meditação.

 

Podemos aumentar a nossa Presença de uma maneira muito mais gostosa, muito mais fácil e muito mais rápida se praticarmos diariamente uma técnica de meditação que nos seja agradável.

 

TEMPO PARA MEDITAR

Esse é um ponto importante, e é um divisor de águas, porque há pessoas que acham que não têm tempo de meditar; elas não têm tempo de meditar, mas têm tempo de muitas outras coisas que seriam dispensáveis.

 

Esta é uma questão de prioridades, de saber o que de fato é valioso para si.

 

Para quem acha que pode arrumar um tempo, vai ter um prazer a mais na vida, porque o momento em que você medita é um momento prazeroso de verdade. Você vai ganhar um tipo de diversão e de entretenimento de um nível superior.

 

O treinamento para estarmos presentes é o maior lazer que um ser humano pode ter!

 

MEDITAÇÃO E CONCENTRAÇÃO

Supondo então que você esteja praticando uma técnica específica de meditação usando a fórmula mágica da meditação e, de repente, uns cachorros começam a latir ferozmente por perto, fazendo aquele barulho.

 

Uma pergunta importante: em nosso exemplo, essa zoeira dos cachorros vai atrapalhar a sua meditação ou não?

 

Essa pergunta define a diferença entre meditação e concentração.

 

Muitas pessoas falam: “Vai atrapalhar sim, é claro, estou tentando estar presente e os cachorros estão atrapalhando!”

 

Mas o som dos cachorros não faz parte do aqui e agora?

 

Claro que faz!

 

Tem gente que fala que se saírmos de nosso foco, por exemplo, respiração, um ponto na parede, ou qualquer outro foco, você está disperso. Sim, você está disperso se você estiver praticando concentração, pois concentração é ficarmos apenas em um foco, mas meditação não é concentração!

 

Meditação é estar presente, atento ao aqui e agora de uma maneira global, procurando estar no centro observador que observa tudo sem julgamentos e sem acoplar pensamentos ao que é observado.

 

Assim, poderíamos estar observando e atentos ao som dos cachorros latindo, por que não? É claro que poderíamos!

 

Posso ser o centro observador da minha respiração, assim como posso ser o centro observador de qualquer zoeira externa, por exemplo.

 

Então, se sairmos de um foco, caso tenhamos de fato um foco em uma meditação, e nossa atenção for para outro elemento do aqui e agora que não nosso foco original, não tem importância, você não está disperso, porque você pode continuar presente nesse outro foco!

 

O QUE É DISPERSÃO

A dispersão não está em nossa atenção ir para os latidos dos cachorros ou para qualquer outra coisa que esteja acontecendo. A dispersão acontece quando surgem pensamentos.

 

Em outras palavras, se começarmos a pensar sobre qualquer coisa, aí sim há dispersão: ”Puxa vida, esses cachorros não deveriam estar aqui, estou meditando, oh, que será que está acontecendo…” Isso são pensamentos, mas a percepção sonora, eu tranquilo, observando, não é dispersão.

 

PERCEPÇÃO E PENSAMENTO

Há uma importante diferença entre percepção e pensamento!

 

Posso perceber algo sem pensar naquele algo, ficando só na percepção; isso é manter-me meditativo. Mas quando começo involuntariamente a pensar sobre aquilo que estou percebendo ou a pensar em qualquer coisa que não tenha a ver com o que estou percebendo, a dispersão está aí, e aí que o pegar em flagrante deve ocorrer.

 

Assim, o pegar em flagrante deve se dar em relação aos pensamentos, e não em relação às percepções. Em relação às percepções, o termo é outro, pois pegar em flagrante implica em interromper o que peguei em flagrante, enquanto em relação às percepções podemos simplesmente continuar nelas, mantendo-nos conscientes de que nossa atenção está ali.

 

Com a meditação, não se pretende deixar seus praticantes fechados, presos, andando sobre trilhos, não. O meditador, nessa proposta, é alguém aberto, vivo, perceptivo a tudo; silencioso por dentro e perceptivo de uma maneira ampla por fora.

 

Então, há nesta abordagem uma diferença importantíssima entre concentração e meditação, e isso torna a meditação muito mais fácil, porque reduz de uma maneira drástica a quantidade de supostas dispersões, que não são dispersões.

 

Você pode ouvir uma bomba ao seu lado e manter-se presente e não estar disperso, e de repente a ação correta a partir do estado de percepção vai acontecer. É claro, se a casa estiver pegando fogo, você tem é que cair fora ou tentar apagar o fogo, mas antes de tudo você tem que perceber que a casa está pegando fogo.

 

Vamos agora comentar um pouco mais sobre a distinção entre percepção e pensamento, porque é muito comum pessoas usarem a palavra “pensar” de uma maneira errada. Alguém pode dizer: “Estou pensando no meu braço.” Mas será que ela está pensando ou está sentindo o braço? Estas são coisas diferentes… Ouvir uma cachoeira não é pensar na cachoeira…

 

VERDADEIRA CAUSA DOS SOFRIMENTOS

Isso tem uma importância mais abrangente do que normalmente supomos, pois a maioria dos nossos sofrimentos não são pelas situações reais, e sim pelos pensamentos, julgamentos, resistências, lamentos e lamúrias que a nossa mente produz em relação a essas situações.

 

Normalmente não ficamos apenas nas sensações e nas percepções, mas acoplamos pensamentos a elas, e muitas vezes esses pensamentos são os destrutivos, os problemáticos e não as situações reais.

 

PERCEPÇÃO DAQUILO QUE É

A nossa vida se torna absolutamente mais simples e mais fácil se ficarmos apenas na realidade, naquilo que é, e não naquilo que penso sobre o que é, e não nos pensamentos que resistem àquilo que é.

 

Há uma realidade e há uma resistência à realidade, e a resistência é que causa o real problema. A resistência nada mais é do que pensamentos dispersivos, invasivos, involuntários…

 

Estamos treinando isto: o pegar em flagrante que comentamos é pegar em flagrante essas resistências, essas queixas desnecessárias, esses julgamentos, esse agarrar-se a determinadas crenças, pegar em flagrante pensamentos como “Eu é que estou certo, você está errado, fui injustiçado, não fiz nada de mal, não tenho responsabilidade sobre o que me acontece…”

 

De repente percebemos que esses são apenas pensamentos, mas não me identifico com eles; eles estão passando, mas eu os estou observando sem confirmar que eles representam a verdade e muito menos que eles representam a minha identidade.

 

O grande ganho da meditação e viver a vida como ela é, sem julgá-la, sem criticá-la, sem resistir a realidade tal qual ela se apresenta, e aí a gente começa a perceber que tudo tem a ver, que tudo tem o seu motivo, que tudo tem a sua lição a dar.

 

O que nos impede de aprender são as críticas da nossa mente, e o que nos impede de sermos felizes, de ficarmos numa boa, são as críticas da nossa mente, são os julgamentos da nossa mente.

 

O propósito é nos livrarmos da própria mente insana, da mente que pensa a mais do que deveria.

…….

 

 

“Meditação com Nisargan – Aula 4”

 

 

Transcrição adaptada do conteúdo do vídeo acima:

 

PENSAMENTOS NECESSÁRIOS E PENSAMENTOS INSPIRADORES

Além dos ruídos internos, ou pensamentos poluidores que atrapalham a nossa vida, há os pensamentos necessários também, que são atrapalhados pelos pensamentos poluidores.

 

Aqueles 50 mil a 60 mil pensamentos por dia são os poluidores, os dispersivos, os ruídos, aquilo que precisa ser limpo. É como um computador poluído com um monte de programinhas inúteis trabalhando sem necessidade, e os programas que deveriam funcionar não estão funcionando corretamente devido a esses programinhas inúteis.

 

A ideia é fazer uma limpeza, mas existem pensamentos necessários. A mente é útil quando bem usada, quando ela não se apodera de nós.

 

Há também outra categoria de pensamentos que são muito importantes, os pensamentos inspiradores, aqueles que nos dão “uma luz” sobre algo, que fazem com que caia a ficha de algo, que nos dão uma resposta, por exemplo.

 

Não estamos querendo inutilizar a mente, e que fique bem claro isso. Estamos querendo limpá-la de tal forma que ela passe a ser mais útil e que dê espaço para outra dimensão que está além dela.

 

RESPEITO A OUTRAS ABORDAGENS

Como falamos, na nossa linha, meditação e concentração não são a mesma coisa, mas há abordagens de meditação que as consideram a mesma coisa.

 

Tudo bem, não estamos querendo dizer que essas abordagens estejam erradas; elas são simplesmente diferentes da nossa abordagem e, no que se refere à meditação, cada um deve descobrir qual é a sua linha, qual é a abordagem que funciona melhor para si.

 

Essa que estamos colocando é apenas uma delas, e dentro dessa linha as estratégias que existem também diferem de pessoa para pessoa em termos de preferência.

 

O que importa é curtir e se entrosar com a estratégia que abraçamos, para que consigamos entrar fundo nela.

 

MEDITAÇÃO E IMAGINAÇÃO

Outra distinção diz respeito à imaginação e à visualização.

 

Há uma linha forte que coloca esses elementos de imaginação e visualização dentro de estratégias também chamadas de meditação, mas essa não é a linha aqui proposta.

 

A nossa linha não é ativarmos a mente com pensamentos nem com imagens mentais. A nossa é como se quiséssemos ser um radar, percebendo, captando, e não fantasiando algo que não esteja presente, e a partir dessa percepção pura é que vem a sabedoria, é que vem o desenrolar adequado, é que vem a serenidade.

 

A linha aqui apresentada de meditação também não é desenvolvimento de poderes mentais, não é nada disso.

 

CONDIÇÕES FAVORÁVEIS PARA MEDITAR

Quais são as condições favoráveis para que você medite?

 

Depende de cada um, e o bom senso é útil nesse caso.

 

HORÁRIO

Escolha um momento em que a mente esteja menos “turbinada”.

 

E quais são os momentos do dia que, em geral, a mente está menos turbinada? Isso varia, mas geralmente é antes do início de nossas atividades normais do dia ou depois delas.

 

Assim, a primeira boa possibilidade é depois de acordarmos. Nesse caso, experimente se para você é melhor antes ou depois de ir ao banheiro, ou antes ou depois do desjejum. O que você sentir que é melhor para você, siga em frente…

 

Outra boa possibilidade é após o trabalho, após as atividades do dia a dia. Também aqui, verifique se é melhor antes ou depois de tomar banho, por exemplo. Novamente, o que você sentir que é melhor para você, siga em frente…

 

SONO

Você vai meditar e está com sono; você não dormiu bem a noite passada e está com o sono atrasado.

 

É interessante meditar nesses horários?

 

Geralmente não, já que meditar não é dormir, e sim estar relaxado, mas em um estado desperto de consciência.

 

Lutar contra o sono vai ser algo desagradável, e meditação tem que ser muito, muito, muito agradável. Então, você tem que criar condições favoráveis para que isso aconteça, e uma dessas condições é meditar enquanto você não está com sono.

 

Mas se você estiver com sono e quiser meditar, se houver possibilidade, uma dica é tirar uma soneca antes de meditar.

 

BOM SENSO

Na verdade, cada um tem que experimentar do seu jeito, já que não existem regras fixas. Aqui estamos apontando o que pode ser considerado como bom senso, e o importante é que o bom senso de cada um se ative, de tal forma que cada um desenvolva sua própria maneira.

 

POSTURA

Como a meditação é uma situação favorável a estarmos presentes, se você for fazer uma meditação sentada, qual é a posição favorável a estarmos presentes? Você precisa estar com as pernas dobradas como um iogue, ou não?

 

Minha sugestão: encontre a posição mais confortável para você, para que não haja incômodos lhe tirando a satisfação.

 

Como já foi mencionado, busque sempre o mais agradável; se uma posição não for agradável para você, não tem porque se torturar, já que meditação não é autotortura, e sim desfrutar a Presença.

 

Uma pergunta pode surgir: “Posso encostar as costas?” Lógico que pode, você pode encostar as costas sim, se encostar as costas lhe for mais confortável e evitar incômodos corporais. Você pode ficar numa poltrona de rei para meditar! Mas, é claro, se ficar em uma postura de iogue lhe for também confortável e fácil, ótimo, fique nesta postura, pois ela tende a favorecer mais o estado de alerta!

 

Assim, além do conforto e da facilidade, uma postura também precisa favorecer o estado de alerta!!!

 

Dessa maneira, no caso de não ser fácil e confortável para você ficar em uma postura de iogue, use seu total bom senso para encontrar uma posição que, além de confortável e fácil, também lhe favoreça a consciência a estar “ligada”, já que existe uma relação sim, entre postura e estado de consciência!

 

Normalmente a coluna vertebral ereta ajuda, a cabeça alinhada à coluna vertebral ajuda, o peso do tronco estar direcionado aos ísquios ajuda.

 

E normalmente estar deitado não ajuda, estar com a cabeça abaixada não ajuda, estar sentado como que escorregando não ajuda.

 

Mas para quem curte ficar deitado e mesmo assim mantém um estado de Presença intenso, tudo bem ficar deitado…

 

Atenção: nem toda a posição que você gosta é necessariamente boa para treinar o aflorar da Presença, pois talvez você goste simplesmente porque está acostumado a ela. Bom senso, sempre!

 

SITUAÇÕES EXTERNAS

E as situações externas? Posso praticar uma meditação sentado num banco de jardim? Pode! Ou sentado na natureza silenciosa? Pode!

 

Como já mencionado, as situações externas, como os ruídos, podem também ser focos da nossa atenção sem acoplarmos pensamentos a eles, isso é verdade.

 

Mas quando se fala algo, sempre há o perigo de ser mal interpretado ou a pessoa entender coisas que não são bem o que se pretendia comunicar.

 

Atenção: para nos sintonizarmos com o estado de Presença, não estamos sugerindo para buscarmos ou nos acomodarmos com situações externas desagradáveis.

 

É claro que você pode estar presente ao som de buzinas, ruídos de automóveis, verdade, pode, só que se você estiver num lugar silencioso e com sons da natureza, é mais agradável e, portanto, com maior potencial de mergulhar mais fundo na experiência.

 

Então, para aflorar a Presença, procure sempre situações externas mais agradáveis dentro das suas possibilidades do momento, tá bom?

…….

 

 

“Meditação com Nisargan – Aula 5” 

 

 

Transcrição adaptada do conteúdo do vídeo acima:

MEDITAÇÃO E VEGETARIANISMO

Nossa cultura toma como normal comermos carne, o que torna delicado falarmos sobre a alimentação vegetariana.

 

Comer carne atrapalha o processo de meditação?

 

A maioria das linhas profundas e verdadeiras de meditação aconselha o vegetarianismo para quem realmente quer ser um meditador, para quem realmente quer ter uma consciência aguçada do aqui e agora, para quem realmente quer estar cada vez mais presente.

 

A alimentação vegetariana é como tirar um peso supérfluo das costas ao escalar uma montanha imensamente íngreme. Se você eliminar o que é supérfluo, ficará mais leve, mais limpo e vai conseguir subir a montanha muito mais facilmente.

 

O fato é, você comer animais de qualquer espécie, lembrando que frango, peixe e frutos do mar não são “repolhos”, são animais… Você comendo carne de qualquer espécie está energeticamente puxando o seu freio de mão, dificultando um processo que você diz que está a fim de prosseguir.

 

Você quer se tornar mais equilibrado, mas ao mesmo tempo está jogando energias turbulentas em seu sistema energético…

 

Os espíritas descrevem claramente o que acontece energeticamente com os animais abatidos, e seja qual for o animal. É um caos dantesco impregnando a carne desses animais, com um aglomerado de espíritos de frequencias bem densas e cruéis, sem contar com as liberações hormonais dos animais nos momentos de estresse máximo que antecedem o violento abate.

 

E quem come esse animal absorve tudo isso, a ponto de alguns videntes conseguirem perceber as diferenças vibratórias de quem come e de quem não come carne, identificando em quem come carne uma perturbação significativa na consciência que dificulta o processo de aprofundar-se em meditação.

 

Então, para um meditador a sugestão é que elimine a carne do cardápio, e há outros motivos para isso. Há motivos éticos, motivos ecológicos, motivos relacionados à nossa própria saúde, são muitos os motivos, e quem quiser se aprofundar há vídeos fantásticos que você pode ver no You Tube, como “A Carne é Fraca”, um vídeo praticamente indispensável para quem se interessa por esse tema. Outro vídeo é o “Meat the Truth”, que está traduzido e diz respeito mais à relação entre comer carne e ecologia, poluição e aquecimento global.

 

O fato é: se você conseguir parar na boa, é melhor.

 

E, quando você medita, se continuar a comer carne, isso significa que seu nível de profundidade em meditação, por mais que você não queira admitir, está baixo, porque a meditação traz um nível de sensibilidade maior, um nível de empatia maior.

 

Quando a pessoa medita, fica muito difícil para ela fazer mal ou provocar sofrimento a alguém ou a algum ser. A pessoa sente assim devido ao seu nível de sensibilidade maior, não por moral, não por obrigação, não se trata de uma ordem, de moralismo, não, trata-se de um pedido interno, de um clamor interno.

 

Então, se a pessoa não tem isso em relação a um animal a qual ela está sendo conivente com a matança e com o sofrimento ao comê-lo, é porque ela não atingiu um nível de sensibilidade suficientemente profundo para perceber as implicações de seu ato de comê-lo.

 

É assim: se você não come carne, tem maior facilidade em aprofundar-se em meditação, fica mais fácil prosseguir e, se você medita, automaticamente, se você realmente entrar fundo, não vai mais conseguir engolir nada que implica em sofrimentos de outros seres.

 

Aí entra outro ponto: no meu caso, sou vegano. Chegou um ponto em que passei a perceber que não basta não comer carne para não ser conivente com a brutal exploração dos animais, mas também não consumir nada que implique em sofrimento, o que significa também não comer ovo, não comer leite, não comer produtos derivados do leite, e por aí vai, mas isso é uma coisa que não se deve forçar.

 

É necessário ter certas informações sobre o processo de produção desses produtos de origem animal, o que a maioria das pessoas não tem, mas com essas informações, em determinado momento cai a ficha e passa a ser impossível para um meditador participar no sofrimento de qualquer ser, e sem necessidade, pois não há necessidade disso. Para quem estuda um pouco vai ver que não há necessidade.

 

Estou dando só uma dica, passando algo para você ficar atento e, se quiser, estudar mais, se informar mais, e há muito material para isso.

 

MOTIVAÇÃO

No outro vídeo, falei quais são as condições favoráveis para que você medite, e quando falei sobre postura eu estava me referindo a técnicas passivas ou paradas de meditação, lembrando que há também técnicas em que o corpo fica em movimento.

 

Agora, qual é o fator mais importante de tudo que falei? O que é mais importante do que horário, local, postura, alimentação, ausência de sono, condições externas? O mais importante é a vontade real de estar presente, é a motivação, e isso faz toda a diferença, é o que transforma uma pessoa comum em um meditador.

 

A INTENÇÃO JÁ EXISTE

Quando há aquela gana, aquela vontade real, aquele anseio de despertar, de acordar, aí sim você entra fundo. Então a motivação é um fator essencial; a intenção de estar presente é o fator mais importante.

 

Se você medita sem a lembrança dessa intenção, não vai haver tanta força. Então, lembre-se de que sua intenção é estar presente mesmo. Quanto mais você se lembra dessa sua intenção…

 

Veja bem, não estou falando para você criar a intenção, estou falando para você lembrar-se da intenção, pois acredito que todos temos a intenção de sermos seres despertos, mas muitas vezes nós não nos damos conta dessa intenção. Essa intenção é encoberta por outros desejos, outras motivações, e a gente nem se dá conta de que a proposta essencial de vida de cada um é estar plenamente desperto, é tirar o manto da inconsciência, dos obstáculos que impedem a gente de estar verdadeiramente vivos, esse é o propósito essencial.

 

Não há necessidade de criar essa intenção, porque ela já existe, ela só está encoberta. Quando você for praticar, lembre-se de verificar se de fato você tem consciência da sua intenção e se tem entendimento da real proposta da meditação.

 

No próximo vídeo vamos falar sobre uma técnica, uma estratégia específica; finalmente vamos chegar a isso.

 

Por hoje é só, e espero ter transmitindo adequadamente e espero que você tenha assimilado adequadamente. A gente se vê no próximo, mas venha preparado, venha preparado para pegar o essencial, para aprender uma estratégia e fazer uso dela, experimentá-la. Se você já tem outra técnica, ótimo, perfeito, continue com ela, mas dá uma experimentadinha nessa, quem sabe você também curte, tá bom

…….

 

“Meditação com Nisargan – Aula 6”

Transcrição adaptada do conteúdo do vídeo acima:

Esta é a aula 6, e ela está em áudio e não está sendo dada pelo Rapumzé.

A ideia de ser áudio é que permita, com mais facilidade para quem ouve, fechar os olhos e procurar assimilar de uma maneira mais profunda. 

O Rapumzé teve um papel de quebrar a associação de meditação com algo sério, e ele fez muito bem esse papel e merece agora um descanso; ele está nos ouvindo agora, mas ele está na boa.

Aqui nós não vamos repetir o que já foi dito nas aulas anteriores, portanto, realmente espero que as aulas anteriores tenham sido assistidas recentemente para que haja um melhor aproveitamento desta aula 6.

O tempo que passou entre a aula anterior e esta foi longo, foram meses e meses; passei nesse tempo fazendo experimentos, fiz vários retiros de meditação de 3 dias, 4 dias, 5 dias, 2 dias, fazendo de algumas horas, meditando diariamente na busca de uma ótima estratégia a apresentar.

São tantas possibilidades e tantas maneiras de apresentar uma determinada estratégia, que eu queria saber qual era uma das melhores de todas, e a decisão foi demorada. Não quis decidir levando em consideração a opinião de ninguém, nem mesmo de nenhum mestre; quis verificar por mim mesmo. 

E o que verifiquei foi que de fato uma das meditações mais transformadoras e poderosas é a do prestar atenção à respiração. Até aí, nenhuma novidade; a novidade foi que constatei que é verdade, mas, falar preste atenção à respiração é algo insuficiente para que haja realmente a vivência dessa atentividade durante cada ciclo respiratório.

É como falar para alguém que não sabe andar de bicicleta: você senta no banco, põe os pés nos pedais, segura o guidão e empurra os pedais, siga em frente, pronto, você já aprendeu a andar de bicicleta…

Não é assim, no começo há muita insegurança; para quem anda é assim, mas para quem não anda, essa explicação é muito pobre, é insuficiente, por isso que embora haja uma estratégia fantástica, a maioria das pessoas não pratica. Então, vamos dar uma explicação passo a passo, em detalhes.

Mas antes deixe eu falar que a respiração precisa ser natural, no sentido de que não alteremos voluntariamente, não a tornemos mais profunda, por exemplo, não. Nela, simplesmente observamos; na verdade, nem vai ser observar a respiração, como vou falar mais para frente. Vai ter a ver com a respiração, mas não será exatamente observar as sensações relacionadas à respiração.

Quando a gente presta atenção mesmo que indiretamente à respiração, ela muda; quando a nossa consciência se foca na respiração, a respiração naturalmente muda a sua amplitude e o seu ritmo, entrando em um ritmo e em uma amplitude mais saudável, mais adequada às nossas necessidades daquele momento.

Cada estado emocional que a gente vive tem relação com um ritmo e uma amplitude respiratória; se a gente vive em uma tônica ansiosa, preocupada, temerosa, irritada, podemos ter certeza que há uma respiração correspondente.

Quando a respiração muda naturalmente através do estarmos conscientes dela, mesmo que indiretamente, os estados emocionais também mudam. Assim, se você quer mudar um estado emocional, nada mais poderoso do que prestar atenção à respiração.

Quanto mais nos aprofundamos nessa sensibilidade à respiração, mais ela se torna harmoniosa e mais nossos estados emocionais se tornam agradáveis. Esta é realmente uma meditação poderosa. Mas ficando claro, nela não provocamos alterações na respiração, apenas prestamos atenção a ela e as alterações ocorrem por si mesmas.

Isso é foco; foco preferencial é você eleger determinado elemento do aqui e agora para receber sua atenção especial; é nesse elemento do aqui e agora que dedicamos nossa atenção de uma maneira preferencial.

É muito importante ficar claríssimo: preferencial não é exclusivo. Se eu tiver foco em alguma coisa, no caso, na verdade, não vai ser na respiração, vai ser nas sensações do corpo, e vou explicar isso mais pra frente, mas tendo foco preferencial nas sensações do corpo, se minha atenção for para outro elemento do aqui e agora que não as sensações corporais, isto é, que não o meu foco preferencial, isso não é dispersão.

Por exemplo, se eu começar a ouvir o latido de um cachorro, o som dos pássaros, etc, etc, etc, nada dessa perceptividade é dispersão, desde que eu não acople pensamentos ao que percebo. A dispersão está nos pensamentos; então, estamos falando de foco preferencial e não exclusivo.

A ideia não é ficar atento às sensações relacionadas à respiração e sim, durante cada ciclo respiratório, ficar atento às sensações do corpo, mesmo que essas sensações não tenham nada a ver com a respiração. Pode ter a ver com a respiração, por exemplo, ficar atento as sensações do abdome, das narinas ou do peito, mas pode ser joelho, pode ser ombro, pode ser o corpo como um todo.

E eu não escolho, essa é uma diferença; estou explicando uma abordagem de meditação que não chamo meditação da respiração, da atenção à respiração. O nome dessa meditação é Meditação da Percepção Corpórea. Nela, uso os ciclos respiratórios para ficar atento ao que for mais fácil. Olha, veja aí, começa aí a diferença, o que for mais fácil em termos de sensações do meu corpo. Qual é a sensação mais fácil de eu perceber, aquela que se evidencia por si mesma, aquela que está mais gritante, mais elevada, mais intensa, e é nela que minha atenção deve ir.

Essa é uma grande dificuldade de querer transportar uma técnica poderosa, que foi criada há milhares de anos, para a situação atual. Quando esta estratégia foi criada, as sensações corporais mais fáceis de serem percebidas eram as relacionadas à respiração, mas hoje em dia, pelo menos para quem começa, as sensações corporais mais tensas, as tensões de nosso corpo, são muito mais gritantes, muito mais intensas do que a sensações da respiração em si.

Tentar me forçar a ficar atento às sensações da respiração enquanto há algo mais forte chamando a minha atenção, fica uma briga… Nessa abordagem, nessa didática da Meditação da Percepção Corpórea, vou onde é mais fácil.

Então, tudo bem, começo um ciclo respiratório, que aliás tem quatro fases… É importante a gente se lembrar bem disto: a primeira fase de um ciclo respiratório é a inspiração, a segunda fase de um ciclo respiratório é a passagem da inspiração para a expiração, quando pode haver uma pausa… Quando a respiração está harmoniosa, naturalmente há uma pausa. A terceira fase é a expiração, e a quarta fase é a passagem entre a expiração e a inspiração e, geralmente, há também uma pausa, uma parada da respiração quando a respiração for harmoniosa.

Durante um ciclo respiratório, com essas quatro fases, a ideia é eu verificar qual é a sensação do meu corpo mais em evidência, podendo, como falei, ser uma sensação relacionada à respiração, podendo não ser relacionada à respiração, podendo ser uma sensação corpórea como um todo sem uma localização específica.

E aí, eu percebendo essa sensação mais em evidência, fico nela, o que não quer dizer que vou ficar agarrado a ela. Posso, por exemplo, sentir o meu joelho direito e, durante determinado tempo, continuo atento ao joelho, mas naturalmente outra sensação pode se tornar mais intensa, que não seja o joelho. Posso, por exemplo, ir do joelho, para a barriga, para a garganta, resumindo, posso ficar atento a qualquer sensação do meu corpo, permitindo que haja variações dessa minha atenção se isso for natural; se for natural continuar atento à mesma sensação que percebi no princípio, tudo bem, senão, tudo bem variar.

Outra dica para tornar fácil a prática da Meditação da Percepção Corpórea, que tem a respiração como o tempo em que renovo minha intenção de me manter presente, é não exigir demais de mim. Por exemplo, “ah, vou ficar o tempo todo atento as sensações do meu corpo, sejam elas quais forem, podendo ou não variar as sensações, mas será o tempo todo”. Tudo bem, ótimo, que seja o tempo todo, mas se não for fácil ficar o tempo todo, não posso me exigir isso. Tenho que me mobilizar a ficar atento pelo tempo que me for fácil dentro de um ciclo respiratório.

Se me for fácil ficar atento apenas por uma fração de segundos a alguma sensação corporal, e mais do que isso for difícil, eu me disperso, então mobilize-se a ficar apenas uma fração de segundo atento a seu corpo. Se for fácil ficar um pouco mais de tempo sustentando sua atenção ao corpo, podendo haver naturalmente atenção a outros elementos que não ao corpo, se isso ocorrer, tudo bem. Minha preferência é corpo, mas isso não é exclusivo, como eu disse, mas se for fácil ficar um pouco mais de tempo atento ao corpo, então me mobilizo para isso, eu me cobro isso, mas não me cobro mais daquilo que eu posso agora, com facilidade. Se for fácil ficar quase o tempo todo atento às sensações do corpo durante todo um ciclo respiratório, então me mobilizo a isso; e se me for fácil ficar o tempo todo atento, instante a instante, a cada instante das quatro fases de cada ciclo respiratório, mobilizo-me a isso.

Dessa maneira, este é outro diferencial: só me mobilizo ao que me for fácil, só presto atenção às sensações do meu corpo que me forem fáceis ficar atento. Essas são pequenas diferenças que tornam a prática viável.

Tudo bem, agora tem mais um elemento, quanto tempo eu vou me dedicar a essa prática da meditação corpórea? Uma hora? Seria bom duas horas? A regra é sempre a mesma, comece pelo tempo que lhe for fácil e confortável; é melhor fazer por cinco minutos com profundidade, inteireza, dedicação, real capricho, real vontade de estar presente naqueles momentos do que por mais tempo, se mais tempo for difícil. Então, comece com pouco tempo, que seja cinco minutos…

Agora, é importante… uma vez que você fique confortável com esse pouco tempo, que você vá aumentando esse tempo, mesmo porque você mesmo vai querer aumentar, pois se você conseguiu profundidade naquele pouco tempo, vai perceber que é gostoso, aqueles minutos foram gostosos, foram repousantes, centralizadores, rejuvenescedores, é outra dimensão de desfrute que lhe surge, acessível, disponível… Você vai querer aumentar o tempo por você mesmo, não por uma obrigação, uma cobrança, uma exigência externa; então, aumente o tempo…

Quando aumentamos o tempo, permitimos um aprofundamento maior; você fazer por pouco tempo é fantástico, mas quando for mais tempo, a possibilidade de aprofundamento é maior. Mas de novo, você só vai aumentar esse tempo se estiver confortável com o tempo que você já faz.

Quando você já estiver fazendo e mantendo-se confortável por períodos mais longos, é interessante que você se dedique ao que chamamos de Retiros, em que você se dedica horas praticando. Não significa que sejam horas continuas, seguidas; você faz por um tempo, por exemplo, trinta ou vinte minutos, faz um intervalo, depois você volta a praticar. Você dedica aquelas horas ou aquele dia inteiro ou aquele final de semana inteiro…

Há Retiros de vinte e um dias, que são muito poderosos quando a gente já tem facilidade de se manter presente. Já fiz vários e vários retiros de vinte e um dias, e eles provocam um aprofundamento significativo, uma mudança de patamar de consciência. Se for fácil para você manter-se presente, curtindo uma meditação por quarenta minutos, já é hora de pensar em fazer Retiros, quando surgir oportunidade.

Normalmente você ir a um lugar específico para fazer um Retiro é melhor, porque você sai do seu ambiente onde há muitas exigências naturais; você vai a um ambiente próprio para essa atividade. Para quem quiser saber desses Retiros, da possibilidade desses Retiros, é só me escrever naquele e-mail ao final do áudio.

Outra possibilidade é fazer uma prática de meditação online, via Skype. Trata-se de uma meditação interativa e os detalhes para quem quiser saber é só me escrever também naquele e-mail ao final do áudio.

Nessa Meditação da Percepção Corpórea há um objetivo final: à medida que for ficando mais fácil a gente conseguir se manter continuamente presente, o objetivo final é, durante cada ciclo respiratório, conseguirmos na boa nos manter continuamente atentos ao aqui e agora, preferencialmente as sensações do corpo, momento a momento, momento a momento estou presente.

O que significa estar presente? Momento a momento há uma consciência de que estou consciente, há uma sensação interna que reconhece o fato de que estou presente, de que estou atento, de que existe uma atentividade naquele momento diferentemente do que na maioria dos meus momentos da vida. Muito bem, então esse seria o grande objetivo.

Agora, o grande objetivo, entre aspas, o grande objetivo é você transportar esse estar presente momento a momento durante a meditação, aos poucos, para o dia a dia. Este é de fato o grande objetivo. Enquanto estou conversando com uma pessoa, procurar me manter continuamente com essa chama da consciência acessa; enquanto eu estiver comendo, caminhando, trabalhando, aos poucos, não podemos também exigir demais, aos pouquinhos, a gente vai percebendo que em algumas atividades do dia é mais fácil sustentar a Presença.

Talvez o mais fácil para começar seja enquanto escovo os dentes, depois, quem sabe, seja enquanto tomo banho; depois, quem sabe, seja enquanto eu como, sei lá, mas o incentivo é que haja a lembrança, para cada um de nós, de estendermos essa atentividade contínua mais e mais para diferentes situações do nosso dia a dia. O objetivo final é a gente estar continuamente presente o tempo todo, e aí a nossa vida definitivamente vai tomar outro rumo.

Quando há Presença, a mente, como foi dito nas aulas anteriores, fica mais silenciosa, diminui o ruído que atrapalha a nossa vida de diferentes maneiras. Quanto mais presente, menos ruídos, quanto mais quietude interna, mais acesso temos ao nosso Ser, a nossa sabedoria. As nossas atitudes, comportamentos e emoções vão ser evidentemente diferentes, isso a gente vai percebendo aos poucos, à medida que formos tendo mais e mais Presença no dia a dia. Então, este é o grande objetivo, tornar o nosso dia a dia oportunidades de estarmos cada vez mais presentes, com a nossa Presença manifesta, a nossa consciência viva, a nossa perceptividade sem julgamentos, ali, manifesta.

Aqui, essa é a nossa sugestão de meditação. Vai de cada um perceber qual é a sua prioridade de vida. Dependendo do grau de prioridade em ter uma mente mais serena, em ter uma Presença mais aguçada, em atuar a partir do Ser e não da mente condicionada, aí você vai ter a atitude correspondente.

Todas as nossas atitudes são correspondentes às nossas prioridades de vida. Este é o momento de verificar onde está essa ou aquela prioridade, lembrando das possibilidades de meditações diárias, lembrando da possibilidade de Retiros de meditação, lembrando da possibilidade da meditação online, que tem sido uma experiência bastante rica e agradável.

Simplesmente tenho a desejar a todos nós que prossigamos com sabedoria, sabendo aproveitar as oportunidades que a vida nos oferece em nossa jornada de vida.

Sinto que existe uma conexão agora entre a gente, bom proveito!!!

 

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