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Didgeridoo – Como Tocar

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Didgeridoo Aumkar
Benefícios, Sacralidade
Respiração Circular

Aprendizagem com Atitudes Adequadas

Didgeridoo é só um tubo oco, não tem furinhos para ficar tapando e destapando, não tem chaves, não tem palheta, não tem cordas, não tem baquetas, não tem teclas, não tem couro, não tem clave (sol, fá, essas coisas), não precisa de partitura… e tem um som encantador!

Pela sua simplicidade e pelo seu som nos chamar fortemente a atenção, o Didgeridoo é um instrumento fácil de tocar, o que não quer dizer que algumas pessoas não sintam certa dificuldade em aprendê-lo. Mas atenção: essa dificuldade não vem do instrumento, mas das atitudes!

Esta página aponta as atitudes adequadas; tendo-as, a aprendizagem é realmente fácil. Portanto, se a sua intenção for a de aprender a tocá-lo, leia e releia esta página, prestando especial atenção às atitudes sugeridas bem como às dicas de como tocá-lo.

 

Instrumento Intuitivo

Este é um instrumento intuitivo, não sendo preciso pensar para tocar nem aprender notas musicais, e sim ir experimentando, descobrindo e permitindo que variações de sonoridade se revelem por si mesmas. Lembre-se: como na vida, uma vez dado um passo, o próximo passo se torna fácil!

Então, não se preocupe com metas distantes. Desfrute o ponto em que você está e prossiga tocando, já que outra característica desse instrumento é que o saborear a sonoridade emitida pode se dar desde a primeira vez em que a pessoa emite um som do Didgeridoo, por mais simples que ele seja.

Saiba: um ponto muito importante na aprendizagem é saborear os sons emitidos, pois saborear implica em prestar profunda atenção sem pensamentos acoplados. Assim fazendo, você facilmente captará sutis variações sonoras e o que as originou, o que inevitavelmente lhe acelera a constante aprendizagem! Um passo por vez… e, cada passo, um prazer em si mesmo…

Cuidado, pois aqui a pressa em aprender atrasa o processo de aprendizagem, já que a pressa coloca nossa consciência no futuro, enquanto que a aprendizagem ocorre apenas quando nossa consciência está no presente!

Se você conseguir tocar o mínimo, um sonzinho curto e simples, já está bom. Continue com esse som e, de repente, vai perceber que alguma melhora acontece; prossiga, e novamente vai perceber que outra melhora acontece… É assim, como na vida, que constantemente alguma situação está nos ensinando a viver com sabedoria, e a nossa parte é ficarmos atentos e assimilarmos as aprendizagens oferecidas.

Insistindo, já que é muito difícil para o ego aceitar esta verdade: o importante não é tocar bem, o importante é se sentir bem ao tocar!

E, para nos sentirmos bem ao tocar, basta simplesmente estarmos imersos na sonoridade que produzimos, independentemente de qual ela seja, e permitirmos o fluir espontâneo do tocar que surge dessa imersão.

 

Processos de Aprendizagem

Há pelo menos dois processos para aprender a tocar Didgeridoo.

Um é receber instruções de um professor para fazer isso e aquilo, empenhar-se para reproduzir esse ou aquele som e decorar isso e aquilo, como acontece ao aprendermos a tocar qualquer outro instrumento musical.

O outro processo, que aqui enfatizamos, é aprender sozinho, ao fazer do tocar Didgeridoo um treinamento para estarmos com a nossa percepção intensamente voltada para o aqui e agora. O que ocorre é que, sendo nós principiantes ou tocadores experientes, quando conseguimos nos manter presentes ao tocar, nosso tagarelar mental diminui e, como consequência, a criatividade se manifesta naturalmente, o que significa que variações de sonoridade se revelam passo a passo por si mesmas.

Lembre-se: quanto mais uma pessoa estiver atenta ao aqui e agora, menos pensamentos involuntários passam em sua mente! Nesse processo, a máxima é: esteja atento aos sons do Didgeridoo, à sua postura, à posição de sua boca e língua, às suas mãos ao segurar o instrumento, à sua respiração e a qualquer outra coisa que espontaneamente lhe chame a atenção, e tão atento a ponto de haver o mínimo de preocupações em sua mente, inclusive nem se preocupando com o som que virá a seguir!

Isso não quer dizer que, assim fazendo, em dois dias estaremos tocando muito bem Didgeridoo. Não é isso, mas assim fazendo e nos dedicando à prática, de preferência diária, estaremos entrando em um excelente, fascinante e agradável processo de aprendizagem espontânea.

Na escolha do processo de aprendizagem em que estar presente é a meta central, é preciso se abdicar das intenções de nosso ego de tocar como “fulano de tal”, de fazer esse e aquele som maravilhoso, de dar um grande show de Didgeridoo e ser aclamado por isso e coisas assim, por mais tentador que tudo isso possa ser. O Didgeridoo tanto pode ser um instrumento para alimentar o nosso ego como pode ser um instrumento para intensificar a nossa Presença, e as duas alternativas são excludentes uma da outra: quanto mais ego, menos Presença, e quanto mais Presença, menos ego.

Antes de escolher o seu processo de aprendizagem, tenha claro o que você realmente quer para si.

Para o sucesso do processo de aprendizagem aqui enfatizado, há apenas três condições: gostar de produzir os sons do Didgeridoo, praticar regularmente e conseguir de fato estar relativamente presente ao tocá-lo. Devido a esse último ponto, convém que a pessoa também vivencie regularmente outras práticas de meditação.

Resumindo: estar com a percepção intensificada ao que se passa no aqui e agora, sem acoplar pensamentos ao que é percebido, é a chave do aperfeiçoamento crescente!

Horário e duração: é claro que você pode tocar Didgeridoo no horário que quiser e pelo tempo que quiser, mas caso verifique que dessa maneira está tocando menos do que poderia para aproveitar o que o Didgeridoo tem a lhe oferecer, então escolha um horário que lhe seja mais conveniente para tocar. O tempo mínimo recomendado é de 10 minutos por dia e, conforme sua vontade e disponibilidade de tempo, pode ser mais do que isso, por exemplo, 30 minutos. Com um timer, talvez lhe seja conveniente marcar esse tempo mínimo (timer do celular, por exemplo). Logo você vai perceber que esses momentos de prática diária não são uma obrigação, mas um profundo, saudável e valioso lazer que você mesmo se presenteia.

Local: de preferência, toque em um lugar que lhe dê privacidade, que lhe seja agradável e que tenha uma boa acústica. Em relação à acústica, quanto maior o eco do local onde está posicionado o orifício inferior do Didgeridoo, melhor. Experimente, por exemplo, na quina das paredes do box do banheiro (com o chuveiro fechado, é claro) ou entre uma parede e um armário. A privacidade, além de deixá-lo mais à vontade, também é importante em relação ao respeito aos outros, já que pode haver pessoas à volta que não estejam na disposição de ouvi-lo tocar.

Percepção Intensificada: tocar Didgeridoo, pelo profundo e agradável impacto de suas vibrações sonoras sobre quem o toca, é uma das situações que mais facilitam com que estejamos intensamente presentes, tanto mais quanto mais a pessoa desfruta os seus sons.

Podemos esquematizar orientações quanto a isso:

– Enquanto você toca, procure manter-se continuamente presente, ficando atento aos sons emitidos do Didgeridoo ou a qualquer outro elemento do aqui e agora que espontaneamente lhe chamar a atenção momento a momento, mas sem adicionar imagens mentais, pensamentos ou julgamentos voluntários sobre nada.

– Permita o agradável fluir dos sons que surgem espontaneamente a partir dessa percepção intensificada.

– Procure identificar quais são os pensamentos dispersivos que inevitavelmente acabam ocorrendo e, ao identificá-los, serenamente os interrompa, ao voltar a atenção para os sons ou para qualquer outro elemento do aqui e agora que espontaneamente lhe chamar a atenção naquele exato momento.

Se quiser, logo após terminar de tocar permaneça alguns minutos em silêncio e o mais imóvel possível, sentado confortavelmente de olhos fechados e com a coluna reta, procurando manter-se na mesma atitude de percepção intensificada. É provável que você se surpreenda com o quão agradável esses momentos podem ser.

Dicas Básicas de Como Tocar Didgeridoo

– Encostar toda a borda do bocal na pele à volta da boca, de tal modo que obstrua a saída do ar por esse orifício superior e que todo o ar soprado saia pelo orifício inferior. Mas atenção: encoste levemente, apenas o suficiente para obstruir essa saída do ar, pois se apertar com força a tendência é os lábios ficarem “presos”, o que atrapalha a sua necessária vibração, explicada mais abaixo. Lábios soltos e relaxados são o segredo!

– O bocal pode ser encostado no centro dos lábios (tocando de frente) ou na parte esquerda ou direita dos lábios (tocando de lado). Uma maneira de saber qual é o lado de seus lábios que vibra mais facilmente é, sem o Didgeridoo, colocar os dedos de uma mão sobre a metade dos lábios, deixando livre a outra metade e vibrando essa parte livre (como se estivesse imitando o barulho do motor de um carro). Depois fazer o mesmo do outro lado.

– Muitas vezes ajuda molhar os lábios com a saliva imediatamente antes de começar a tocá-lo.

– Enquanto se toca Didgeridoo, manter solta e relaxada a parte dos lábios que está dentro do bocal, pois a maioria de seus sons acontece pelas vibrações dessa região. Assim, para acontecer os sons do Didgeridoo não se deve apenas assoprar o ar, e sim vibrar os lábios enquanto se assopra! Para os principiantes, antes de tocá-lo em geral ajuda fazer exercícios que relaxem os lábios e que lhe provoquem essas vibrações, ao delicadamente relinchar como um cavalo ou provocar sons como se fosse uma criança imitando o roncar do motor de um carro (Brrrrr….). Para efeito de treino, sem o Didgeridoo, convém chegar a um ponto em que essas vibrações dos lábios aconteçam de uma maneira fácil, solta e relaxada na parte dos lábios que normalmente fica dentro do bocal (centro, parte esquerda ou parte direita). Para alguns, esses exercícios dos lábios sem o Didgeridoo são condições necessárias para desencadear a mesma vibração dos lábios com o Didgeridoo.

– Mantendo as vibrações dos lábios dentro do bocal, provoque também variações de movimentos dessa parte dos lábios, o que desencadeia diferentes sons do Didgeridoo. Verifique qual posição dos lábios lhe facilita a criação de uma maior variedade desses movimentos (tocar de frente, do lado esquerdo ou do lado direito).

– Como exercício de fôlego, procure manter pelo maior tempo possível, em uma só expiração, a vibração dos lábios com algumas variações sonoras.

– Diferentes intensidades do ar expirado desencadeiam diferentes sonoridades. Em geral, os principiantes expiram com muita força, o que acaba fazendo com que, desnecessariamente, se cansem rapidamente e acabe logo o seu fôlego. Na verdade, a não ser que haja intenção de provocar determinados efeitos sonoros, não há necessidade de colocar muita força na expiração, podendo soltar o ar de uma maneira lenta e suave. 

– Uma dica referente à higiene é só tocá-lo com a boca limpa, ou seja, só tocá-lo quando a pessoa não comeu nem bebeu nada (exceto água) depois da última vez em que escovou os dentes. Senão, pequenas partículas de alimento acabam saindo da boca e se instalando na parede interna do Didgeridoo, o que em pouco tempo provocaria um odor desagradável.

Depois de a pessoa ficar à vontade na produção de sons com o Didgeridoo simplesmente provocados pela vibração dos lábios, ela acaba descobrindo por si mesma que outros fatores determinam variações sonoras. As dicas abaixo podem acelerar descobertas que naturalmente iriam acontecer com o tempo:

– Movimentos da cabeça e do próprio Didgeridoo também desencadeiam diferentes variações sonoras.

– A posição e o movimento da língua determinam importantes variações sonoras ao tocarmos Didgeridoo. É comum a pessoa provocar determinados sons e não ter consciência de que o determinante desses sons é justamente a posição e/ou os movimentos de sua língua. Por exemplo, há uma enorme diferença sonora quando, enquanto tocamos, posicionamos a língua como se fôssemos pronunciar a letra “i” em relação a como se fôssemos pronunciar a letra “o”, ou como se fôssemos falar “tá” em relação a como se fôssemos falar “dá”. Experimente essas diferenças…

– Sons guturais (ruídos ou grunhidos produzidos na garganta) também podem ser acrescentados aos demais sons, o que devido ao efeito amplificador do Didgeridoo em geral dá uma combinação sonora bastante poderosa.

– Sons mais elaborados das cordas vocais, como sons que lembram diferentes tipos de gritos, ruídos ou cantos de animais, também podem ser acrescentados aos demais sons. Por exemplo, enquanto você toca, com suas cordas vocais pode imitar o canto de baleias ou o latido de um cachorro grande ou de um cachorro pequeno. Também enquanto você toca, como se fosse um ventríloquo, qualquer palavra pode ser pronunciada, por exemplo, a própria palavra “Didgeridoo”.

Cada um tem uma maneira própria de tocar Didgeridoo. Portanto, se a sua maneira lhe for agradável, dê a si mesmo plena liberdade de seguir em frente com ela.

No processo de aprendizagem aqui enfatizado, é claro que um professor de Didgeridoo também pode ser útil, tanto mais quanto mais ele der ênfase no estar presente ao tocar, mas não o considere como essencial, pois ele não o é. Aqui, a função mais importante de um professor é estimulá-lo a praticar com as adequadas atitudes, mas esse estímulo você pode encontrar em você mesmo! Agora, se sua prioridade for emitir esse e aquele som específico com o Didgeridoo, e não simplesmente tocá-lo para aflorar a criatividade que surge a partir de sua percepção intensificada, então nesse caso um professor poderá ser de ajuda.

Um ponto na aprendizagem é a respiração circular, também não essencial, mas muitíssimo importante. Aqui, um professor também pode ajudar, mas praticando os exercícios apresentados no “Respiração Circular” deste site, para quem se dedica de fato a fazê-los é muito fácil aprendê-la. Mas atenção: primeiro aprenda a emitir sons do Didgeridoo com facilidade e naturalidade, para só então praticar esses exercícios.

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