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Didgeridoo – Respiração Circular

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Didgeridoo Aumkar
Benefícios, Sacralidade
Como Tocar

Como o saxofone, o trompete e outros instrumentos de sopro, o Didgeridoo pode ser tocado tanto com a chamada respiração circular como sem ela. A respiração circular é um tipo de respiração que permite que o som não seja interrompido ao se fazer a inspiração do ar; assim, com ela, a pessoa que toca o Didgeridoo pode emitir sons contínuos indefinidamente.

O princípio dessa respiração circular é bastante simples. Ao tocar Didgeridoo, emitir pela boca o ar que vem dos pulmões, porém, quando chegar o momento da inspiração pelo nariz, passar a emitir apenas o ar contido na cavidade bucal, de tal modo que a emissão de ar continue também durante a inspiração e, assim, continue a produção dos sons do Didgeridoo. Realizada a inspiração pelo nariz, voltar a emitir o ar que vem dos pulmões, e assim por diante.

Dessa maneira, para que a pessoa consiga inspirar pelo nariz ao mesmo tempo em que elimina ar pela boca, basta que o ar eliminado no momento da inspiração venha apenas da cavidade bucal, e não dos pulmões, deixando assim livre as vias respiratórias para a entrada do ar.

Em outras palavras, a pessoa alterna a eliminação do ar, ora vindo dos pulmões, ora vindo apenas da cavidade bucal, e não provocando pausa nessa alternância. É claro que para eliminar ar da cavidade bucal é preciso, segundos antes, armazenar ar ali, o que em geral deixa nesse momento as bochechas como um pequeno balão.

Treinamentos para Aprender a Respiração Circular

Como mencionado em “Como Tocar”, deste site, para tocar Didgeridoo não é imprescindível fazer a respiração circular, embora ela enriqueça bastante a emissão dos sons do Didgeridoo, ao permitir seu fluir harmonioso e contínuo e ao desencadear novas e belas sequências de sonoridade.

Assim, para quem já estiver tocando um pouco, isto é, já estiver emitindo sons com facilidade e naturalidade, fortemente sugerimos que se dedique a aprender a respiração circular, e apresentamos abaixo duas metodologias simples para isso, cujo ponto mais desafiador é a decisão de realmente praticá-las!

Antes de iniciar a aprendizagem de tocar Didgeridoo com a respiração circular, ajuda a pessoa criar o hábito de, ao precisar interromper a sonoridade para inspirar, fazer essa interrupção sem tirar a boca do bocal.

Também é muito importante entender que, para fazer a respiração circular, não é necessário nenhum dom especial, como não foi necessário nenhum dom especial para aprendermos a andar ou como não é necessário nenhum dom especial para que uma pessoa aprenda a dirigir um carro. Na verdade, aprender a fazer a respiração circular é bem mais fácil do que esses dois exemplos anteriores, precisando a pessoa simplesmente ajustar sua coordenação motora para algo que não está habituada a fazer.

Observações importantes: estando no processo dessa aprendizagem, enquanto estiver em um passo concentre-se nele como se não houvesse outros passos, dando tudo de si para entendê-lo e fazê-lo o mais bem feito possível! Assim, só procure entender e fazer o próximo passo depois de fazer o passo em que você está de uma maneira totalmente satisfatória, levando o tempo que for necessário para isso!

Metodologia I

Primeiro Passo:

Encha a boca de água e a elimine através de um jato uniforme que caia aproximadamente em um mesmo ponto à sua frente a uma distância maior do que um metro. Enquanto você faz isso, inspire e expire algumas vezes pelo nariz!

Repita esse processo várias vezes!

Este exercício evidencia que, se é perfeitamente possível eliminar a água contida na cavidade bucal enquanto inspiramos e expiramos pelo nariz, é também perfeitamente possível eliminar o ar contido na cavidade bucal enquanto inspiramos pelo nariz.

É importante a manutenção do jato d’água uniforme e que caia mais ou menos no mesmo ponto à sua frente, pois para conseguir isso é preciso haver impulso da língua e das bochechas juntamente com o controle do jato, sendo esse o mesmo impulso e controle necessários para a saída do ar enquanto se está fazendo a respiração circular. Assim, o impulso e o controle do jato d’água treina a musculatura correspondente para o que virá a seguir.

Do Segundo ao Quarto Passo, o treinamento é feito com um copo com água pela metade, tendo dentro dele um canudinho de refrigerante. Quanto mais fino for o canudinho, mais fácil os exercícios, ajudando inclusive se o torcermos, de tal modo que sua cavidade fique menor ainda.

Segundo Passo:

Com a boca cheia de ar, ponha os lábios no canudinho e, ao mesmo tempo em que inspira pelo nariz, elimine o ar que está na cavidade bucal provocando bolhas na água!

As bolhas que saem na água são indicadoras de que realmente o ar está sendo eliminado pela boca enquanto você inspira pelo nariz.

Terceiro Passo:

Igual ao passo anterior e, na sequência, com um mínimo de pausa na feitura de bolhas, agora elimine o ar que vem dos pulmões.

Aqui, as bolhas também são indicadoras de que praticamente não há pausa nessa sequência (eliminação do ar vindo da cavidade bucal e eliminação do ar vindo dos pulmões).

Quarto Passo:

Repetir o Terceiro Passo de uma maneira contínua, isto é, ao terminar o Terceiro Passo, imediatamente depois faça-o novamente sem interrupções, de tal modo que haja o mínimo de pausa na feitura das bolhas.

Esta é a respiração circular usando um canudinho dentro de um copo com água!

A partir do próximo Passo, o treinamento é feito com o Didgeridoo.

Quinto Passo:

Sem se preocupar com a sonoridade emitida, faça a mesma sequência do Quarto Passo, só que agora no Didgeridoo.

Muitas vezes convém, ao praticar o Quinto Passo, voltar ao Quarto Passo, pois esse servirá de “modelo” ao Quinto Passo.

Sexto Passo:

Continue a praticar a mesma sequência, procurando agora, aos poucos, emitir a sonoridade própria do Didgeridoo.

Esta é a respiração circular ao tocar Didgeridoo!

 

Metodologia II

Primeiro Passo:

Abrindo os lábios o mínimo, eliminar “em jatinhos” uma pequena quantidade de ar pela boca, fazendo isso por aproximadamente 1 minuto sem parar.

“Em jatinhos” significa como se você estivesse imitando pela boca pequenos peidinhos emitidos um atrás do outro.

Observe que, ao fazer esse processo ininterruptamente por um minuto ou mais, é inevitável que enquanto o ar é eliminado pela boca através desses “jatinhos”, a inspiração acontece naturalmente pelo nariz! Esse é todo o princípio da respiração circular!!!

Segundo Passo:

Diminuir a quantidade de “jatos” de ar enquanto inspira pelo nariz, ao prolongar a duração desses “jatos” até chegar ao ponto de fazer um só prolongado “jato” enquanto inspira pelo nariz. Assim, considere como tendo feito esse Passo de uma maneira totalmente satisfatória apenas quando a duração do “jato” de ar for a mesma do que a duração da inspiração.

Terceiro Passo:

Repetir o Segundo Passo e, imediatamente após o término da inspiração, voltar a soltar ar pela boca, só que desta vez vindo dos pulmões, enquanto relaxa os lábios e os vibra como um suave e delicado relinchar (mais explicações sobre essa vibração dos lábios, ler “Como Tocar”, deste site).

Quarto Passo:

Repetir o Terceiro Passo de uma maneira contínua, isto é, ao terminar o Terceiro Passo, imediatamente depois faça-o novamente sem interrupções. Esta já é a respiração circular sem o didge!

Quinto Passo:

Sem se preocupar com a sonoridade emitida, faça a mesma sequência do Quarto Passo, só que agora no Didgeridoo.

Muitas vezes convém, ao praticar o Quinto Passo, voltar ao Quarto Passo, pois esse servirá de “modelo” ao Quinto Passo.

Sexto Passo:

Continue a praticar a mesma sequência, procurando agora, aos poucos, emitir a sonoridade própria do Didgeridoo.

Esta é a respiração circular ao tocar Didgeridoo!

Observações Finais

Após as primeiras respirações circulares bem sucedidas ao tocar Didgeridoo, independentemente da metodologia utilizada, é apenas a prática que fará com que você supere eventuais descoordenações motoras ou pequenas pausas na sonoridade e torne essa respiração fácil e natural! E saiba que é normal haver mudança de sonoridade no momento da inspiração.

Na fase inicial da aprendizagem da respiração circular, é comum a pessoa sentir falta de ar ao tocar, sem saber se o que está sentindo é realmente pela ausência ou pelo excesso de ar nos pulmões. Muitas vezes essa aparente falta de ar se dá pelo excesso de ar nos pulmões, pois a respiração está acontecendo sob a decisão ansiosa da mente, o que pode levar a um exagero na dose de inspirações. É necessário chegar ao ponto em que a respiração circular aconteça por si mesma, deixando o próprio corpo decidir qual é o momento de inspirar!!! Quanto mais isso acontecer, a tendência é a respiração circular se tornar suave e menos ruidosa.

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